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terça-feira, 13 de agosto de 2013

O que ainda emperra a ciência no Brasil

via (O Povo Online / Jornal de Hoje)

Investimentos em ciência e tecnologia quadruplicaram em dez anos. Mesmo assim, o Brasil precisa avançar mais para se transformar em um país de ponta



Da roupa que você usa ao smartphone de última geração. Dos carros movidos à gasolina aos veículos de motor elétrico. Da geladeira de menor consumo de energia aos medicamentos de ponta. Quase tudo que utilizamos no dia a dia é fruto de pesquisas científicas realizadas ao longo dos últimos anos. Um processo contínuo, no qual o conhecimento produzido hoje servirá de base para o que vai ser descoberto amanhã. Não há dúvidas de que, para ter competitividade no século XXI, o Brasil terá de investir mais em ciência, tecnologia e inovação. Somente isso terá a capacidade de agregar valor aos nossos produtos e, assim, transformar o Brasil num país de ponta em termos de conhecimento.

Entre pesquisadores e gestores ouvidos, há um consenso: o País conseguiu avançar em relação aos investimentos. Apesar de ainda ser considerado um valor abaixo do necessário, captar recursos para a produção científica tornou-se uma tarefa "mais fácil". Isso está refletido nos números. Em 2001, o Brasil investia R$ 17,2 bilhões em ciência e tecnologia - entre recursos públicos e privados, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Em 2011, dados preliminares apontam um investimento de R$ 68,1 bilhões. Ou seja, um número quatro vezes maior.

O grande desafio é manter esse ritmo crescente ao longo dos próximos anos. "Os investimentos em educação e ciência e tecnologia tem que ser uma política de estado e não de governo", afirma a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. Porém, segundo ela, todos os anos é preciso travar uma batalha para evitar cortes no orçamento da área.

Outro dado interessante é que, se comparado ao Produto Interno Bruto (PIB), o crescimento não é tão intenso quanto o dos valores correntes. Em 2001, o montante investido em Ciência e Tecnologia representava 1,33% da soma das riquezas do País. Em 2011, a taxa subiu para 1,64% do PIB. A Coreia do Sul, por exemplo, investiu 3,74% do PIB no setor em 2010.

"Países da Europa e os Estados Unidos enfrentaram a crise financeira aumentando os investimentos em ciência. Porque eles sabem que a única maneira de reverter a crise é com mais ciência e tecnologia. Ciência não é gasto, é investimento", enfatiza Helena Nader. Por isso, a professora defende que mais recursos sejam investidos nos anos que virão. Nas próximas páginas, vamos discutir outros gargalos que ainda dificultam a realização de pesquisas científicas no Brasil. Também serão apresentados números relativos à ciência e tecnologia que mostram como o Brasil conseguiu avançar na última década. Porém, ainda temos um caminho longo a percorrer.

O POVO solicitou a indicação de uma fonte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para debater os avanços e desafios da produção científica no Brasil, mas a entrevista não foi viabilizada até o fechamento deste caderno.

Números

68,1 milhões. Foi o valor investido em pesquisa científica em 2011, de acordo com os dados preliminares do MCTI

1,64% do PIB. É o que representa o volume de investimentos no Produto Interno Bruto do Brasil. Na Coreia do Sul, esse número é3,74%

(O Povo Online / Jornal de Hoje)

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